Lula é culpado

29/10/2018

(Foto: Moacyr Lopes Junior)
(Foto: Moacyr Lopes Junior)

As eleições do primeiro turno, quando todos os campeões de votos do país vieram da direita, e muitos candidatos que sequer eram conhecidos do eleitor conseguiram sucesso nas urnas simplesmente por estar posicionada no espectro da direita, de um claro recado a esquerda brasileira.

Depois da redemocratização, ser de direita era demonizado. Foi assim por 30 anos. Mesmo aqueles partidos que tinham na sua essência posicionamentos de direita, ficavam constrangidos de adotar a bandeira da direita e se posicionavam acanhadamente para não serem rotulados com o rótulo que lhes pertencia.

Qualquer movimento que se dissesse de direita era rapidamente ligado a ditadura militar, a censura e os escárnios ataques aos direitos humanos e individuais que se tornaram rótulos do período militar no Brasil. Estrategicamente o melhor discurso era o de que não existia mais esquerda e direita. O abraço de Lula em Maluf é a prova cabal disso.

Nessas eleições os aspectos políticos voltaram a ficar bem definidos e a linha que até então era tênue, que dividia a esquerda da direita, ficou clara e a maioria dos brasileiros não gostou do que viu.

A verdade é que a esquerda teve 30 anos para liquidar qualquer espaço de pensamento direitista e jogou isso fora. Lula foi o maior culpado. Quando vendeu a imagem de que ele era maior do que o Brasil, maior do que o movimento político ao qual integrava, ele também transformou a sua imagem na inabalável imagem da esquerda. Ninguém cresceu a sombra ou próximo do Lula. Ele reinou soberano e quando caiu, caiu também a esquerda.

Para sobreviver a um momento em que o eleitorado começa a migrar para a direita e demonizar a esquerda de tal maneira que a própria ditadura, que sempre foi o bicho papão, passou a ser vista de maneira diferente pela população, a esquerda precisa entender que ela é maior do que Lula. Que ela pode viver sem ele. Que não houve golpe e que há sim provas para manter seu mito na cadeia.

A esquerda precisa se transformar em um movimento político onde as idéias precisam ser maior do que o homem. A esquerda precisa sepultar Lula, caso contrário, daqui a dois anos, nas eleições municipais, vai levar mais uma surra nas urnas e em 2022 o baque final vai vir de uma maneira que vai precisar de uma nova troca de gerações para voltar ao poder.