Bolsonaro e o povo que enlouqueceu

09/09/2018

Vendo as postagens desses últimos dias nas redes sociais, cheguei a uma triste conclusão: O povo enlouqueceu de vez.
Não estou falando isso por causa de suas escolhas políticas, que essa é uma loucura individual e que, por mais que muitas vezes não concorde, por ser sua, respeito, mas por tudo o resto que está acontecendo.


Bolsonaro foi esfaqueado enquanto fazia campanha política. Ele é o candidato a presidente do Brasil que lidera as pesquisas, ou seja, se elas estiverem certas ele está pelo menos no segundo turno, quebrando uma polaridade partidária que dominou o Brasil nos últimos 20 anos.


Eu particularmente discordo de diversos posicionamentos de Jair Bolsonaro. Se a eleição fosse hoje, minha consciência política jamais me deixaria votar no deputado, no entanto, o ato ao qual ele foi vítima é muito grave. É abismal para o nosso desenvolvimento quanto sociedade democrática de direito.

Se todos gritamos que a democracia é a nossa maior arma para mudar o mundo, precisamos apreender a conviver com as opiniões contrárias, sejam elas filosóficas, existenciais ou  apenas idiotas.

A democracia por si só exige do individuo que este saiba conviver com as diferenças e que aprenda respeita-las. Faz parte desse direito das pessoas defenderem o que elas quiserem, desde que não ultrapassem o limite que separa a liberdade de expressão da agressão. Quando esse limite é ultrapassado as instituições legalmente constituída pela democracia, é quem devem intervir e nunca o indivíduo em si, por mais cheio de razão que ele ache que está.

Nestas eleições temos quem defenda o estado mínimo e quem defenda que as cem maiores empresas do país devem ser estatizadas. Temos quem defenda que a violência seja tratada com mais violência e quem acredite que a solução está na melhoria do ambiente coletivo. Temos até quem acredita que o problema da violência é a falta de amor e que os problemas do Brasil seriam resolvidos tirando o consumidor do SPC.  Cada um no seu quadrado e você do outro lado da história precisando escolher em qual desses quadrados você se encaixa. 

Talvez o agressor de Bolsonaro seja apenas um idiota que aproveitou a oportunidade para aparecer na mídia, ou, quem sabe, seja ele membro de um plano arquitetado para matar o candidato. Isso é a Polícia Federal quem vai apurar.

Para nós meros integrantes de uma engrenagem muito maior, não cabe fazer tais suposições, até porque isso não tem importância nesse momento. Tudo que importa é que o povo unido defenda o alicerce básico da democracia que é a liberdade, nem que essa seja usada para dizer e fazer basteiras.

O direito de propôr  asneiras por detentores da mais pura inépcia precisa ser assegurado pelo preceito de que todo o homem livre tem direito de fazer política e ele é tão importante quanto o direito de quem apresenta proposta que de fato podem fazer uma diferença positiva no mundo.

Nesse momento a defesa da liberdade é mais importante do que a escolha de seu voto, porque no final das contas todos os governos passam, os bons e os ruins, os honestos e os corruptos, a única coisa que não passa, é a nossa necessidade de ser livre. Pensar diferente disso é assinar o nosso atestado de loucura.